O uso das chamadas redes sociais (blog, facebook, twitter, linkedin
e outras) como um sistema horizontal de “auto-comunicação de massas”, através
dos meios de comunicação como celulares e internet, é um fenômeno que está
mostrando a sua força na segunda década do século XXI, ou seja, é um fenômeno atual
que está modificando profundamente as relações sociais.
Tratando-se de um fenômeno novo, é mais fácil observar e
sentir os seus efeitos, como as revoltas no mundo árabe, os protestos na Europa
e os distúrbios em Londres, do que entender a amplitude e a profundidade do fenômeno
e suas causas. É fato que está em curso significativas mudanças nos meios
de comunicação, e, como conseqüência, nas relações de poder.
Os meios de comunicação de massas são controlados por
instituições (Estado, associações e empresas), de forma que o controle da comunicação
e da informação sempre foi fundamental no exercício do poder.
O que não sai na mídia não existe na cabeça dos cidadãos, de
tal forma, que o mais importante para a política, não é o que está sendo dito,
mas, sim, “o que não se diz”, que freqüentemente se relaciona com o que se
esconde, com interesses escusos, com a corrupção, com aquilo que “rola debaixo
dos panos” nas instituições.
O poder de quem controla as instituições permanece estável e
imutável por causa das nossas próprias mentes, como diz Manuel Castells: “a
manipulação das mentes é muito mais eficaz que a tortura dos corpos”1.
O institucionalizado, o “status quo” é resultado dos
compromissos de luta e de negociação na sociedade. O poder, que se estabelece através
da dominação e intimidação, são mantidos pela omissão, medo e sentimento de
fraqueza dos que ficam sem voz.
O sociólogo espanhol Manuel Castells coloca que os
interesses burocratizados que mantém as instituições agora podem ser
confrontados pelos novos interesses de atores sociais, que não tinham voz no sistema
passivo de comunicação de massa (TV, rádio, jornais, etc.). As comunicações das
redes sociais são horizontais e interativas e não são controladas pelas
instituições de poder.
Dentro da miséria política dominante, o sistema de “auto-comunicação”
de massas permite aos cidadãos a possibilidade de recuperar o papel de
protagonistas sociais que todas as pessoas deveriam ter. Pela comunicação,
mesmo nos grandes espaços urbanos, que afastam as pessoas, elas sentem que não
estão sós, e quando se sabe que estamos juntos, há uma mudança mental
importante: perde-se o medo de dizer e fazer, na medida em que a superação do
medo se faz em conjunto.
As redes sociais interativas de comunicação geralmente são gratuitas
ou de custo muito baixo em relação às mídias tradicionais (TV, rádio, etc.).
Assim, tais redes permitem enfrentar o poder econômico das instituições, dando
voz aos que estão isolados, mas que podem se mobilizar a favor de causas comuns
aos membros das redes sociais.
Enfim, a internet pode dar voz às pessoas isoladas e sem
poder econômico, mas que dispõem de idéias que desagradam aos tiranos, que se
mantém no poder pelo domínio dos mecanismos burocráticos das instituições.
1. (http://www.youtube.com/watch?v=2nWa32CTfxs, acesso em 04/09/2011).
1. (http://www.youtube.com/watch?v=2nWa32CTfxs, acesso em 04/09/2011).