domingo, 4 de setembro de 2011

Porque os tiranos têm medo da internet?

O uso das chamadas redes sociais (blog, facebook, twitter, linkedin e outras) como um sistema horizontal de “auto-comunicação de massas”, através dos meios de comunicação como celulares e internet, é um fenômeno que está mostrando a sua força na segunda década do século XXI, ou seja, é um fenômeno atual que está modificando profundamente as relações sociais.

Tratando-se de um fenômeno novo, é mais fácil observar e sentir os seus efeitos, como as revoltas no mundo árabe, os protestos na Europa e os distúrbios em Londres, do que entender a amplitude e a profundidade do fenômeno e suas causas. É fato que está em curso significativas mudanças nos meios de comunicação, e, como conseqüência, nas relações de poder.

Os meios de comunicação de massas são controlados por instituições (Estado, associações e empresas), de forma que o controle da comunicação e da informação sempre foi fundamental no exercício do poder.

O que não sai na mídia não existe na cabeça dos cidadãos, de tal forma, que o mais importante para a política, não é o que está sendo dito, mas, sim, “o que não se diz”, que freqüentemente se relaciona com o que se esconde, com interesses escusos, com a corrupção, com aquilo que “rola debaixo dos panos” nas instituições.

O poder de quem controla as instituições permanece estável e imutável por causa das nossas próprias mentes, como diz Manuel Castells: “a manipulação das mentes é muito mais eficaz que a tortura dos corpos”1.

O institucionalizado, o “status quo” é resultado dos compromissos de luta e de negociação na sociedade. O poder, que se estabelece através da dominação e intimidação, são mantidos pela omissão, medo e sentimento de fraqueza dos que ficam sem voz.

O sociólogo espanhol Manuel Castells coloca que os interesses burocratizados que mantém as instituições agora podem ser confrontados pelos novos interesses de atores sociais, que não tinham voz no sistema passivo de comunicação de massa (TV, rádio, jornais, etc.). As comunicações das redes sociais são horizontais e interativas e não são controladas pelas instituições de poder.

Dentro da miséria política dominante, o sistema de “auto-comunicação” de massas permite aos cidadãos a possibilidade de recuperar o papel de protagonistas sociais que todas as pessoas deveriam ter. Pela comunicação, mesmo nos grandes espaços urbanos, que afastam as pessoas, elas sentem que não estão sós, e quando se sabe que estamos juntos, há uma mudança mental importante: perde-se o medo de dizer e fazer, na medida em que a superação do medo se faz em conjunto.

As redes sociais interativas de comunicação geralmente são gratuitas ou de custo muito baixo em relação às mídias tradicionais (TV, rádio, etc.). Assim, tais redes permitem enfrentar o poder econômico das instituições, dando voz aos que estão isolados, mas que podem se mobilizar a favor de causas comuns aos membros das redes sociais.

Enfim, a internet pode dar voz às pessoas isoladas e sem poder econômico, mas que dispõem de idéias que desagradam aos tiranos, que se mantém no poder pelo domínio dos mecanismos burocráticos das instituições.

1.  (http://www.youtube.com/watch?v=2nWa32CTfxs, acesso em 04/09/2011).

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