Prevê-se que 2018 será um ano farto de acontecimentos impactantes,
porém, o que vai acontecer?
Não sabemos!
A respeito do futuro só há previsões. Haverá muitas previsões
face a eleição, copa do mundo de futebol, economia, taxa de câmbio, bolsa de
valores e outros. Muitas dessas previsões falharão.
Assim, entender a realidade é útil para evitar problemas
previsíveis e usufruir melhor das condições disponíveis.
Para fazer boas previsões é necessário ter um pensamento
probabilístico, o que poucas pessoas têm. “Tenho certeza que vai acontecer”.
Essa é uma afirmação que pode ser um engano, pois se não acontecer qual a
consequência? Essa consequência pode ser entendida como risco.
Na prática, o que está em jogo é uma decisão. Uma decisão só
existe, quando faltam informações e há consequências negativas no caso da
decisão se mostrar errada. Certo ou errado faz parte do nosso cotidiano como
jogos, como em situações novas, em testes, enfim quando nó nos frustramos em
relação àquilo que se pretendia fazer. Precisamos de coragem para arriscar
fazer e, se possível acertar. Por outro lado, a possibilidade de errar
amedronta.
Para melhorar as decisões é importante distinguir o
improvável do impossível.
Fiz outro dia um exame do coração chamado cintilografia
coronariana com stress farmacológico.
Na orientação do laboratório havia um alerta sobre os efeitos
colaterais da medicação injetada para realizar o exame. Uma possibilidade era
de infarto ou óbito, porém muito raro, 1 em 10 mil exames. Perguntei à enfermeira
se houve algum óbito no exame. Ela disse que trabalhava com esse exame nesse
laboratório há 8 anos e não houve óbito.
Aí é que entra o entendimento da realidade probabilística.
Numa observação rápida, o laboratório devia fazer uns 100
exames por mês, então já haviam feito mais de 10 mil exames. O que isso
significa?
Que um óbito vai acontecer a qualquer momento nesse
laboratório, e pode ser eu. Certo?
Depende do fundamento estatístico. Tenho amigos que jogam na
mega-sena e acham que o melhor é apostar nos números que não foram ou foram
poucas vezes sorteados, pois há mais chance de sair. É o mesmo raciocínio.
Tanto na mega-sena como no exame do laboratório a
probabilidade se renova a cada sorteio ou exame, ou seja, o que vai acontecer
não depende dos eventos anteriores. Logo a crença de que os números pouco
sorteados têm mais chance, ou o medo de fazer o exame pois a chance de óbito
subiu, não são reais, são falsos.
Nesse exemplo podemos ver a diferença entre o impossível e o
improvável.
Era provável que eu morresse no exame? Não. Era altamente
improvável (1 para 10 mil), logo não tive infarto e nem morri. Porém era
possível? Sim, pois já aconteceu esse fato nesse tipo de exame.
É provável que meus amigos ganhem na mega-sena jogando 6
dezenas só com números que não foram sorteados ou foram poucos? Não. É
altamente improvável como é para quaisquer 6 dezenas jogadas. É impossível?
Não, pois há casos de pessoas que ganham jogando só 6 dezenas.
Entender a diferença entre o possível e o provável é
importante na tomada de decisão. Se eu não fizesse o exame com medo de morrer,
iria pagar o custo de não avaliar a minha condição cardíaca, não podendo cuidar
da minha saúde de um modo adequado ficando exposto a outros riscos em relação
ao coração.
Os meus amigos jogam na crença de ganhar, pois os 6 números escolhidos
têm mais chance de ser sorteado, e vão pagar o custo da aposta e a decepção de
não ganhar quantas vezes eles jogarem.
E se eu tivesse morrido e um amigo meu ganhar a mega-sena?
Bem, isso já exige outros conceitos, que podem ser chamados
de sorte ou azar, e que fica pra outro artigo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário