quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

O improvável e o impossível: Entendendo a realidade em um mundo complexo.

Prevê-se que 2018 será um ano farto de acontecimentos impactantes, porém, o que vai acontecer?

Não sabemos!

A respeito do futuro só há previsões. Haverá muitas previsões face a eleição, copa do mundo de futebol, economia, taxa de câmbio, bolsa de valores e outros. Muitas dessas previsões falharão.

Assim, entender a realidade é útil para evitar problemas previsíveis e usufruir melhor das condições disponíveis.

Para fazer boas previsões é necessário ter um pensamento probabilístico, o que poucas pessoas têm. “Tenho certeza que vai acontecer”. Essa é uma afirmação que pode ser um engano, pois se não acontecer qual a consequência? Essa consequência pode ser entendida como risco.

Na prática, o que está em jogo é uma decisão. Uma decisão só existe, quando faltam informações e há consequências negativas no caso da decisão se mostrar errada. Certo ou errado faz parte do nosso cotidiano como jogos, como em situações novas, em testes, enfim quando nó nos frustramos em relação àquilo que se pretendia fazer. Precisamos de coragem para arriscar fazer e, se possível acertar. Por outro lado, a possibilidade de errar amedronta.

Para melhorar as decisões é importante distinguir o improvável do impossível.

Fiz outro dia um exame do coração chamado cintilografia coronariana com stress farmacológico.

Na orientação do laboratório havia um alerta sobre os efeitos colaterais da medicação injetada para realizar o exame. Uma possibilidade era de infarto ou óbito, porém muito raro, 1 em 10 mil exames. Perguntei à enfermeira se houve algum óbito no exame. Ela disse que trabalhava com esse exame nesse laboratório há 8 anos e não houve óbito.

Aí é que entra o entendimento da realidade probabilística.

Numa observação rápida, o laboratório devia fazer uns 100 exames por mês, então já haviam feito mais de 10 mil exames. O que isso significa?

Que um óbito vai acontecer a qualquer momento nesse laboratório, e pode ser eu. Certo?

Depende do fundamento estatístico. Tenho amigos que jogam na mega-sena e acham que o melhor é apostar nos números que não foram ou foram poucas vezes sorteados, pois há mais chance de sair. É o mesmo raciocínio.

Tanto na mega-sena como no exame do laboratório a probabilidade se renova a cada sorteio ou exame, ou seja, o que vai acontecer não depende dos eventos anteriores. Logo a crença de que os números pouco sorteados têm mais chance, ou o medo de fazer o exame pois a chance de óbito subiu, não são reais, são falsos.

Nesse exemplo podemos ver a diferença entre o impossível e o improvável.

Era provável que eu morresse no exame? Não. Era altamente improvável (1 para 10 mil), logo não tive infarto e nem morri. Porém era possível? Sim, pois já aconteceu esse fato nesse tipo de exame.

É provável que meus amigos ganhem na mega-sena jogando 6 dezenas só com números que não foram sorteados ou foram poucos? Não. É altamente improvável como é para quaisquer 6 dezenas jogadas. É impossível? Não, pois há casos de pessoas que ganham jogando só 6 dezenas.

Entender a diferença entre o possível e o provável é importante na tomada de decisão. Se eu não fizesse o exame com medo de morrer, iria pagar o custo de não avaliar a minha condição cardíaca, não podendo cuidar da minha saúde de um modo adequado ficando exposto a outros riscos em relação ao coração.

Os meus amigos jogam na crença de ganhar, pois os 6 números escolhidos têm mais chance de ser sorteado, e vão pagar o custo da aposta e a decepção de não ganhar quantas vezes eles jogarem.

E se eu tivesse morrido e um amigo meu ganhar a mega-sena?

Bem, isso já exige outros conceitos, que podem ser chamados de sorte ou azar, e que fica pra outro artigo.



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