sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Globalização atual é para os jovens


Traduzido e adaptado do artigo do McKinsey Global Institute de janeiro de 2016.

A digitalização abriu as portas para as economias emergentes, pequenas empresas e indivíduos a participarem diretamente no processo de globalização.

Mais de 20.000 designers e artistas independentes mostraram seus trabalhos no Pinkoi, um mercado online sediado em Taiwan. A empresa se conectou com clientes em mais de 47 países, usando o Facebook para expandir seu alcance em toda a região da Ásia e Pacífico.

A startup coModule da Estônia criou uma tecnologia que traz a Internet das coisas para bicicletas elétricas e scooters. O protótipo foi apresentado em Barcelona, o financiamento inicial (seed funding) veio da Alemanha, e os componentes são adquiridos na China. A empresa está ampliando a produção e de olho em mercados de usuários em toda a Europa e Ásia.

Dr. Chibuzo Anaso desenvolveu um aplicativo que ajuda pacientes com diabetes a tomarem conta de sua condição. O produto decolou em seu mercado original na África do Sul, em seguida pacientes da Nigéria e do Quênia entraram em contato com o produto através do Facebook e do Twitter, e hoje dois terços dos seus clientes vêm de todo o continente Africano e do Oriente Médio.

A globalização no começo foi impulsionada quase que exclusivamente por governos, grandes corporações multinacionais e grandes instituições financeiras. Mas agora, graças a plataformas digitais com alcance global - artesãos, empresários, desenvolvedores de aplicativos, freelances, pequenas empresas e até indivíduos podem participar diretamente. Uma nova pesquisa da McKinsey Global Institute (MGI) utiliza novos dados para analisar a extensão das conexões e seu impacto econômico.

As maiores dessas plataformas on-line têm crescido a uma escala nunca antes visto (ver ilustração 1), e seus usuários estão cada vez mais internacionais. Indivíduos do Canadá a Camarões podem construir suas próprias conexões globais, seja para negócios, laços pessoais, entretenimento, educação, ou simples curiosidade sobre o mundo além de suas próprias fronteiras.

MGI analisou as interações internacionais no Facebook, Twitter, LinkedIn, e WeChat mostrando que cerca de 900 milhões de pessoas têm pelo menos uma conexão internacional em suas mídias sociais (mesmo ajustando a sobreposição entre seus usuários). Mais de 12 por cento das amizades do Facebook estão entre as pessoas que vivem em diferentes países, e metade dos usuários ativos do Facebook têm pelo menos um amigo que tem uma amizade internacional – o que é um aumento de três vezes a partir de 2014.

Além disso, MGI descobriu que as mídias sociais desempenham um papel cada vez mais importante na ligação de pessoas nas economias emergentes para o mundo desenvolvido, abrindo assim novas oportunidades de trabalho, de aprendizagem, e de conexões pessoais. A percentagem de usuários do Facebook com amizades internacionais é maior nos países emergentes do que nos países desenvolvidos (54 contra 44 por cento) - e isto está crescendo rapidamente, observando-se um aumento de 3,6 vezes a partir de 2014.

Ilustração 1.



Além da construção de redes pessoais e amizades, a participação individual nessas plataformas globais tem repercussões económicas importantes. Para as empresas, as plataformas digitais oferecem uma enorme base embutida de potenciais clientes e caminhos eficazes para negociar diretamente com eles. E como as mídias sociais expõe consumidores de todo o mundo para o que está sendo ofertado, os produtos podem se tornar virais numa escala sem precedentes.

Recente o hit de Adele "Hello" acumulou 50 milhões de visualizações no YouTube em suas primeiras 48 horas, e seu “álbum 25” esmagou recordes sendo o número um na lista de download nas lojas do iTunes em 110 países durante a sua primeira semana de lançamento. Para os indivíduos, essas plataformas oferecem novas maneiras de aprender, para colaborar e desenvolver as capacidades - e mostrar seus talentos para potenciais empregadores.

As pequenas e médias empresas (PME) que se juntam em mercados on-line estão tendo vantagens deste potencial para expandir rapidamente e se conectar com clientes e fornecedores em todo o mundo.

Facebook estima que sua plataforma inclui mais de 50 milhões de tais empresas, acima dos 25 milhões de 2013 e que cerca de 30 por cento dos fãs dessas empresas são internacionais (Ver ilustração 2).

Ilustração 2



A Amazon agora abriga cerca de dois milhões de vendedores de terceiros. A percentagem de PME que exportam é mais de sete vezes maior no eBay que em empresas off-line do mesmo tamanho. O PayPal permite transações internacionais agindo como um intermediário para as PMEs e os seus clientes.

As microempresas com necessidade de capital podem entrar em plataformas como o Kickstarter, onde cerca de 3,3 milhões de pessoas, representando quase todos os países, fizeram investimentos em 2014. A capacidade das pequenas empresas para alcançar visibilidade global ajuda o crescimento económico em toda parte.

O mundo ainda está longe de “ser plano”, mas suas conexões estão começando a tocar uma gama muito mais ampla de países, empresas e pessoas.

Em vez de esperar os benefícios da globalização como decorrência da globalização das grandes corporações, as PMEs podem vir a ser “micromultinacionacionais” com seu próprio trabalho e startups podem nascer globalizadas.

Os indivíduos podem explorar oportunidades, informações e idéias de qualquer lugar do mundo.


Chamamos essa nova era de “globalização para os jovens”.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

21 Maneiras Pelas Quais o Software Transformará a Sociedade Global.

Entre 20 e 23 de janeiro de 2016 aconteceu o Fórum Econômico Mundial em Davos na Suíça. O tema foi a "Quarta revolução industrial".

O livro, escrito por Klaus Schwab, fundador do Fórum e publicado apenas antes da reunião anual da organização, foi a ideia do tema. O argumento do livro é que a confluência de várias tecnologias equivale à quarta revolução industrial do título do livro.

Essa revolução que já começamos a vivenciar no dia a dia, significa uma forte presença de tecnologias digitais, mobilidade e conectividade de pessoas, na qual as diferenças entre homens e máquinas se dissolvem e cujo valor central é a informação.

Após o evento, o Conselho da Agenda Global do Fórum Econômico Mundial sobre o Futuro do Software e da Sociedade divulgou o relatório “Deep Shift: 21 Ways Software Will Transform Global Society” (“Mudanças Profundas: 21 Maneiras Pelas Quais o Software Transformará a Sociedade Global”).

Quais são as 21 Maneiras Pelas Quais o Software Transformará a Sociedade Global?

Veja a lista:

1. O primeiro smartphone implantável no seu corpo estará disponível em 2025
Dispositivos capazes de identificar doenças, rastrear pessoas, enviar dados a centros de monitoramento e liberar medicamentos automaticamente, por exemplo, já serão comercializados em 2025.

2. 80% das pessoas estarão na internet em 2023
Em 2023, de acordo com a pesquisa, 80% das pessoas terá uma presença digital, o que tem “se tornado estritamente ligado à vida física de uma pessoa”.

3. Nossos próprios olhos serão interface de tecnologias em 2023
A tecnologia será capaz, em 2023, de conectar nossa própria visão aos dispositivos eletrônicos. Isso, segundo o texto “pode mudar a forma como aprendemos, navegamos e fornecemos informações e feedbacks a empresas e bens de serviço”.

4. 10% das pessoas usarão roupas conectadas à internet em 2022
A tecnologia está cada vez mais pessoal. Chips poderão ser colocados nas peças de roupas, permitindo rastrear crianças e detectar hábitos pouco saudáveis.

5. 90% das pessoas com acesso à internet em 2024
43% da população mundial tem acesso à Internet, e isso evolui rapidamente. “Para que essa evolução realmente aconteça, a Internet deve não só estar disponível, mas também acessível monetariamente”.

6. 90% das pessoas terão smartphones em 2023
Muitas pessoas já preferem smartphones a computadores comuns. A pesquisa chama o fenômeno de “um supercomputador em seu bolso”. A adesão aumenta, a tecnologia evolui e os preços caem. A lista mostra países cuja população adulta com smartphones já está muito próxima a 90%, a qual inclui Singapura, Coreia do Norte e Emirados Árabes Unidos, por exemplo.

7. 90% das pessoas com acesso a armazenamento ilimitado e gratuito em 2018
Aproximadamente 90% dos dados do mundo foram criados nos últimos dois anos. As pessoas criam conteúdo sem mais se preocupar em deletar para não ocupar espaço.

8. 1 trilhão de sensores conectados – a Internet das Coisas em 2022
“Especialistas sugerem que, no futuro, todos os produtos físicos podem estar conectados a infraestruturas de comunicação, e sensores em todos os lugares permitirão que as pessoas tenham percepção completa de seu ambiente”.

9. Mais de 50% do tráfego de internet será aplicado ao funcionamento dos lares em 2024
A casa conectada pode estar mais próxima do que você imagina. “Hoje, boa parte do tráfego de internet é usado para o consumo pessoal, em comunicação e entretenimento”. A automação do lar permitirá o controle de objetos, como interruptores, geladeiras e sistemas de segurança.

10. Cidades inteligentes em 2026
Em 2026, veremos a primeira cidade com mais de 50.000 habitantes e nenhum semáforo, segundo o estudo. Cidades progressistas, como Singapura e Barcelona, já implementam serviços que funcionam através de dados. Até mesmo as estradas serão conectadas à internet. Os sensores facilitarão desde o deslocamento até a retirada do lixo das ruas.

11. Decisões tomadas através da big data em 2023
Há cada vez mais dados e decisões são tomadas usando informações baseadas em pesquisa. Segundo as previsões, em 2023 veremos o primeiro governo que substituirá seu censo por fontes que usam o big data. Com isso, as decisões serão automatizadas, tanto em níveis industriais quanto governamentais.

12. 10% dos carros serão autônomos em 2026
Muitas empresas, como o Google e a Audi, já trabalham nisso. Tudo indica que esses carros não precisarão de motoristas.

13. Inteligência artificial em conselhos de empresas em 2026
A pesquisa acredita que em 11 anos veremos o primeiro conselho de empresa com um membro eletrônico. Isso significa conclusões mais rápidas e precisas.

14. 30% dos empregos de escritórios podem ser substituídos por IA em 2025
As ferramentas de inteligência artificial são boas em automatizar processos e tomar decisões, podendo substituir boa parte dos empregos de escritórios.

15. O primeiro farmacêutico-robô em 2021
Muitos empregos já são influenciados por robôs. Em 2021, segundo as previsões, a população poderá confiar na tecnologia para receitar os medicamentos.

16. 10% do PIB mundial armazenados na nuvem em 2027
Boa parte do dinheiro pode estar disponível através de Bitcoins muito em breve, segundo o levantamento. A “blockchain” é uma forma de distribuir com segurança este tipo de moeda – atualmente, essa “corrente” já possui aproximadamente US$20 bilhões, ou 0,025% do PIB global de US$80 trilhões. A pesquisa lista apenas impactos positivos para esta mudança, que passam por inclusão digital e maior transparência.

17. Mais caronas do que viagens em carros particulares em 2025
A economia colaborativa permite que pessoas que estão dispostas a oferecer algo entrem em contato com outras que precisam desse mesmo serviço. A pesquisa acredita que essa forma de transação estará muito mais difundida em 10 anos.

18. Cobrança de impostos através da rede em 2023
As transações financeiras por bitcoins podem facilitar determinados tipos de cobranças, como impostos. De acordo com o texto da pesquisa, um candidato à prefeitura de Londres já fez a sugestão de implementação desta tecnologia para evitar fraudes.

19. Produção do primeiro carro feito por uma impressora 3D em 2022
Atualmente, as impressoras 3D trabalham principalmente com a fabricação de produtos de plástico, os quais são feitos camada por camada. No entanto, muitas empresas já trabalham com a ideia de usar outros tipos de materiais. Hoje, já é possível “imprimir chocolate”, por exemplo.

20. Transplante de fígado feito com impressora 3D em 2024
O processo é chamado de “bioimpressão” e promete otimizar a medicina. Os materiais usados para este tipo de impressão passam, por exemplo, por pó de titânio na fabricação de ossos, e as pesquisas já começaram.

21. 5% dos produtos consumidos feitos por impressoras 3D em 2025
Nesse cenário das possibilidades da impressão em 3D, os produtos poderão ser softwares que as pessoas baixam e imprimem em casa, customizados e sob demanda. Isso poderia reduzir custos e aumentar a acessibilidade a esses produtos.

As 4 forças globais que estão quebrando todas as tendências

Traduzido e adaptado por Roberto Silveira Braga

O sistema de funcionamento da economia mundial está sendo reescrito. Neste artigo baseado no livro “No Ordinary Disruption” (PublicAffairs, May 2015) da McKinsey Global Institute, onde seus autores (Richard Dobbs, James Manyika, and Jonathan Woetzel) explicam as tendências que estão remodelando o mundo e por que os líderes devem se ajustar a essa nova realidade.

Na primeira revolução industrial do final do século 18 e início do século 19, uma nova força mudou tudo. Hoje nosso mundo está passando por uma transição ainda mais dramática devido à confluência de quatro forças disruptivas fundamentais.

Em comparação com a primeira revolução industrial, a estimativa é que esta mudança está acontecendo dez vezes mais rápido, 300 vezes maior e cerca de 3.000 vezes mais importante quanto ao impacto.

Embora todos nós sabemos que essas perturbações estão acontecendo, a maioria de nós não conseguem compreender a sua plena magnitude e não imaginam os efeitos de segunda e terceira ordem que irão resultar.

Por mais que as ondas possam amplificar um ou outro aspecto, essas tendências estão ganhando força, magnitude e influência pois elas interagem entre si, coincidem, e alimentam uma as outras.

Juntas, essas quatro tendências perturbadoras estão produzindo uma mudança monumental.


Primeira força.

Além de Shanghai: A era da urbanização.

A primeira força disruptiva é o deslocamento do dinamismo e da atividade económica para os mercados emergentes como a China e para as cidades dentro desses mercados.

Estes mercados emergentes estão passando por revoluções industriais e urbanas simultâneas, mudando o centro da economia mundial para o leste e sul a uma velocidade nunca antes testemunhada.

No ano 2000, 95 por cento das maiores empresas internacionais do mundo listados na Fortune Global 500, incluindo Airbus, IBM, Nestlé, Shell e Coca Cola, para citar algumas, tinham sede em economias desenvolvidas.

Em 2025, quando a China será o lar de empresas maiores do que as do Estados Unidos ou da Europa, espera-se que quase metade das grandes empresas do mundo, aquelas com receita acima de US $ 1 bilhão tenham sede em mercados emergentes.

O ex-executivo-chefe do Deutsche Bank, Josef Ackermann dizia: “Ao longo dos anos, as pessoas em nossa sede, em Frankfurt, começaram a se queixar de mim: nós não vemos mais você por aqui”. Havia uma razão. O crescimento mudou para outro lugar, para Ásia, América Latina e Oriente Médio. Então era lá que eu ia. E o centro da atividade econômica também está se deslocando dentro desses mercados.

A população mundial urbana vem aumentando, durante as últimas três décadas, a uma média de 65 milhões de pessoas por ano, o que é o equivalente à soma de sete cidades como Chicago por ano, a cada ano.

Quase a metade do crescimento global do PIB entre 2010 e 2025 virão de 440 cidades em mercados emergentes, sendo que 95 por cento delas são pequenas e médias cidades que muitos executivos ocidentais podem nunca ter ouvido falar e não conseguem localizar no mapa. Sim, Mumbai, Dubai e Xangai são familiares. Mas o que dizer de Hsinchu, no norte de Taiwan? Santa Catarina no Brasil, a meio caminho entre São Paulo e a fronteira uruguaia? Ou Tianjin, uma cidade que fica a cerca de 120 quilômetros ao sudeste de Beijing?

Em 2010, estimou-se que o PIB de Tianjin foi de aproximadamente US$ 130 bilhões, tornando-se cerca do mesmo tamanho que Estocolmo, capital da Suécia. Em 2025, estima-se que o PIB de Tianjin será em torno de US$ 625.000.000.000, aproximadamente a de toda Suécia.


Segunda força.

A ponta do iceberg: Acelerando as mudanças tecnológicas.

A segunda força disruptiva é a aceleração no escopo, na escala e no impacto econômico da tecnologia.

A tecnologia, desde a invenção da prensa para a máquina à vapor até a Internet, sempre uma grande força derrubou o status quo. A diferença é que hoje há uma quase onipresença da tecnologia em nossas vidas com uma extrema velocidade de mudança.

Demorou mais de 50 anos, depois que o telefone foi inventado, até que metade dos lares americanos tivessem um. O rádio demorou 38 anos para atrair 50 milhões de ouvintes. Mas o Facebook atraiu 6 milhões de usuários em seu primeiro ano e esse número foi multiplicado 100 vezes ao longo dos cinco anos seguintes.

O serviço móvel de envio de texto e mensagens de voz WeChat da China tem 300 milhões de usuários, mais do que toda a população adulta dos Estados Unidos.

A adoção acelerada convida inovação acelerada. Em 2009, dois anos após o lançamento do iPhone, os desenvolvedores já tinham criados cerca de 150.000 aplicações para o iPhone. Em 2014, esse número tinha atingido 1,2 milhões, e os usuários tinham baixado mais de 75 bilhões de aplicativos total, mais de dez para cada pessoa no planeta.

Tão rápido quanto a inovação se multiplicou e se espalhou nos últimos anos, a tecnologia está prestes a continuar mudando e crescendo a uma velocidade exponencial além do poder da intuição humana para poder antecipar tais mudanças.

O poder de processamento e conectividade são apenas parte da história. O seu impacto é multiplicado pela revolução de dados, que coloca uma quantidade sem precedentes de informações nas mãos dos consumidores e das empresas, bem como a proliferação de tecnologia, como por exemplo, modelos de novos negócios criados a partir de plataformas de varejo online como o Alibaba até aplicativos como o Uber.

Graças a essas forças mutuamente ampliadas, mais e mais pessoas vão desfrutar de uma idade de ouro de engenhocas, de comunicação instantânea e de informações aparentemente sem limites.

Tecnologia oferece a promessa de progresso econômico de bilhões de dólares em economias emergentes a uma velocidade que teria sido impensável sem a Internet móvel.

Vinte anos atrás, menos de 3 por cento da população do mundo tinha um telefone móvel; agora dois terços da população do mundo tem um celular, e um terço de todos os seres humanos são capazes de comunicar na Internet.

A tecnologia permite que negócios, tais como WhatsApp comecem e ganhem escala com velocidade impressionante usando pouco capital. Empreendedores e start-ups agora frequentemente desfrutam de vantagens iguais a de grandes empresas estabelecidas.

O ritmo furioso de adoção tecnológica e inovação está encurtando o ciclo de vida das empresas e forçando os executivos a tomar decisões e comprometer recursos muito mais rapidamente.


Terceira força.

Envelhecer não é o que costumava ser: Respondendo aos desafios de um mundo em envelhecimento.

A terceira força é que a fertilidade está caindo e a população do mundo envelhecendo de forma dramática.

O envelhecimento era evidente nas economias desenvolvidas, por exemplo, o Japão e Rússia têm visto suas populações diminuir ao longo dos anos, porém, agora, o déficit demográfico está se espalhando para a China e em breve chegará a América Latina.

Pela primeira vez na história humana, o envelhecimento pode significar que a população do planeta vai se estabilizar na maior parte do mundo.

Trinta anos atrás, apenas uma pequena parte da população mundial vivia em poucos países com taxas de fertilidade inferiores a 2,1 filhos por mulher, que é a taxa necessária para substituir cada geração.

Mas agora, em 2013, cerca de 60 por cento da população mundial vivia em países com taxas de fertilidade abaixo da taxa de reposição. Esta é uma mudança radical.

A Comissão Europeia espera que, em 2060, a população da Alemanha vai encolher em um quinto, e o número de pessoas em idade ativa vai cair de 54 milhões em 2010 para 36 milhões em 2060, um nível que é previsto para ser inferior ao da França.

A força de trabalho da China atingiu o pico em 2012. Esse pico deve-se à política de desaceleração demográfica para aumento de rendada população. Na Tailândia, a taxa de fertilidade caiu de 5 em 1970 para 1,4 hoje.

Uma força de trabalho menor colocará uma maior responsabilidade na produtividade para o crescimento econômico e pode levar-nos a repensar o potencial da economia. Cuidar de um grande número de idosos irá colocar uma grande pressão sobre as finanças públicas.


Quarta força.

Comércio, Pessoas, Finanças e Dados. Um aumento nas conexões globais.

A quarta força disruptiva é o grau crescente em que o mundo está ligado através do comércio e através de movimentos de capitais, pessoas e informações (dados e comunicação). É o que chamamos de fluxos.

Comércio e finanças têm sido parte da história globalização, mas, nas últimas décadas, tem havido uma mudança significativa.

Em vez de uma série de linhas que ligam os principais centros comerciais na Europa e América do Norte, o sistema de comércio global vem se expandindo em uma complexa e intrincada rede pela Internet.

A Ásia está a tornar-se a maior região comercial do mundo. Os fluxos Sul-Sul entre os mercados emergentes dobraram a sua participação no comércio mundial durante a última década.

O volume de comércio entre a China e África aumentou de US$ 9 bilhões em 2000 para US$ 211 bilhões em 2012. Os fluxos globais de capital expandiram-se 25 vezes entre 1980 e 2007.

Mais de um bilhão de pessoas atravessaram as fronteiras em 2009, mais de cinco vezes o número em 1980.

O crescimento destes três tipos de conexões estabilizou-se durante a recessão global de 2008 e vem recuperando apenas lentamente desde então.

Mas as ligações criadas pela tecnologia seguem sem interrupções e com o aumento de velocidade, dando início a uma nova fase dinâmica da globalização, criando oportunidades ímpares, e fomentando uma volatilidade inesperada.


Reconstruindo a intuição.

Essas quatro forças disruptivas reunidas, vem crescendo em escala, e começaram, simultaneamente, a ter um impacto significativo sobre a economia mundial por volta da virada do século 21.

Hoje, elas estão perturbando padrões há muito estabelecidos em praticamente todos os mercados e todos os setores do mundo econômico, na verdade, em todos os aspectos de nossas vidas.

Onde quer que olhemos, eles estão causando rupturas, rupturas, ou simplesmente rupturas.

O fato de que todas as quatro forças estão agindo ao mesmo tempo implica que o nosso mundo está mudando radicalmente em relação ao mundo em que muitos de nós crescemos, prosperamos, e formamos as intuições que são tão vitais para a nossa tomada de decisão.

Isto provoca graves erros em previsões e planos que foram feitos simplesmente extrapolando a experiência recente para o futuro próximo ou pior ainda para um futuro distante. Muitos dos pressupostos, tendências e hábitos que existiam e eram confiáveis, de repente, perdeu muito de sua validade.

Nós nunca tivemos dados ou informações ao alcance de nossos dedos, literalmente. O iPhone ou o Samsung Galaxy contém muito mais informações e poder de processamento do que os supercomputadores antigos.

No entanto, nós trabalhamos em um mundo em que até, talvez especialmente, analistas profissionais são rotineiramente pegos de surpresa. Isso é em parte porque a intuição ainda sustenta grande parte da nossa tomada de decisão.

Nossa intuição tem sido formada por um conjunto de experiências e ideias sobre como as coisas funcionavam durante o tempo em que as mudanças estavam começando ou eram previsíveis.

A globalização beneficiou a bem estabelecida e bem conectada abertura dos novos mercados com relativa facilidade. O mercado de trabalho funcionava de forma bastante confiável. Os preços dos recursos diminuíram.  Mas não é assim que as coisas estão funcionando agora, e não sabemos como vão funcionar no futuro.

Se olharmos para o mundo através de um espelho retrovisor e tomar decisões com base na intuição construída sobre a nossa experiência que apareceu nesse retrovisor, podemos errar desastrosamente. No novo mundo, os executivos, os planejadores e os indivíduos precisam examinar a base de suas intuições e corajosamente redefini-las se necessário. Isto é especialmente verdade para as organizações que têm desfrutado de grande sucesso.

Vivemos em uma época cheia de oportunidades, porém profundamente inquietante. Há uma grande quantidade de trabalho a ser feito.

Precisamos perceber que muito do que nós pensamos sobre como o mundo funciona agora são ideias inadequadas. Ainda não entendemos como essas forças disruptivas estão transformando a economia global. Não sabemos como identificar as tendências de longo prazo. Não sabemos como desenvolver a coragem e a intuição para estabelecer uma nova base intelectual e preparar para responder aos desafios.

Essas lições se aplicam tanto para os planejadores como para os executivos de negócios e o processo de reinicialização do nosso “sistema interno de navegação” não pode demorar.
Há um imperativo urgente para se ajustar à essas novas realidades.

No entanto, a engenhosidade, inventividade e imaginação da raça humana tendem ser lenta para se adaptar à mudança. Há uma poderosa tendência humana de querer que o futuro seja muito parecido com o passado recente.



Revisar nossas suposições sobre o mundo em que vivemos, mas não fazer nada, vai deixar muitos de nós altamente vulneráveis. Desenvolver uma clara visão sobre como negociar as mudanças na paisagem dos negócios nos ajudará a se preparar para ter sucesso.